A aquicultura, produção de organismos em ambiente aquático, é considerada uma atividade produtiva de grande complexidade, pois a qualidade da água pode influenciar todo o desempenho da criação, sendo de extrema importância nos lucros e prejuízos da atividade. A temperatura da água é um dos fatores que interferem em sua qualidade, todas as atividades fisiológicas dos peixes (respiração, digestão, reprodução, alimentação, etc.) estão intimamente ligadas a ela.


Peixes são animais ectotérmicos, ou seja, são incapazes de regularem a temperatura do seu organismo, necessitando de fontes externas como o calor da água. Valores acima ou abaixo do ótimo de temperatura (valor ideal) influenciam de forma a reduzir o crescimento dos animais. Em geral, cada espécie de peixe possui faixas de temperaturas ideais para o seu crescimento e alimentação, a qual pode variar entre a fase adulta e jovem, sendo também notável a sua alta influência sobre a reprodução e migração desses animais.
Os peixes possuem baixa tolerância às variações bruscas de temperatura, principalmente, quando essas variações são superiores a 5°C, sendo que, mesmo não causando a morte de peixes adultos, o choque térmico pode causar sérios danos aos ovos, às larvas e aos alevinos. Há peixes que toleram maior amplitude térmica, como as carpas, que suportam variações superiores a 20 °C, porém é importante ressaltar que há diferença entre tolerância a uma grande amplitude e uma variação brusca na temperatura. A variação brusca, uma mudança abrupta de temperatura em um mesmo dia, pode ocasionar um choque térmico com efeitos de estresse, metabólicos e comportamentais e até mesmo a morte. Essas variações são extremamente perigosas para os peixes, principalmente para os que estão em estágios mais jovens, os quais são mais sensíveis.
A temperatura, o oxigênio dissolvido e a suscetibilidade a substâncias tóxicas na água são fatores intimamente relacionados no ambiente aquático, já que com o aumento de temperatura há aumento da taxa metabólica dos organismos, acarretando maiores gastos energéticos, consumo de oxigênio e, consequentemente, maior sensibilidade aos efeitos dos poluentes (Cetesb, 2022). Quando a temperatura estiver acima do valor ótimo, haverá menos oxigênio em circulação do que os peixes necessitam, o que pode acarretar em graves problemas à produção. Já em temperaturas muito abaixo da zona de conforto dos peixes, pode haver redução da taxa metabólica, atrapalhando a alimentação, a imunidade e o crescimento.
Algumas ações podem ser realizadas para minimizar os efeitos de uma temperatura de água inadequada aos animais, como: Promover a oxigenação adequada da água, reduzir ou aumentar o fornecimento de alimento de acordo com a temperatura, uso de estufas para a reprodução, intensificar a renovação da água dos viveiros e evitar alguns manejos como, por exemplo, no frio é adequado que o manuseio seja feito somente no período mais quente do dia.
Em conclusão, é de extrema importância averiguar se os valores de temperatura da água estão adequados, garantindo a qualidade do ambiente e melhores resultados na sua piscicultura.